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Harpas de Meus Nervos


O homem e o Animal

 

 

            O homem vive. O animal sobrevive. O homem estuda. O animal aprende. O homem sabe de si e as coisas. O animal não entende, não se compreende, mas percebe que têm e o que não tem. O homem tem sentimentos e é bom. O animal sente é e selvagem. O homem come por conveniência. Mas há muitos homens que comem quando estão com vontade. E todo animal come por necessidade.

O homem tem vaidade em ser homem. O animal tem liberdade para ser animal. O homem que se torna livre é animal. O animal que é preso e enjaulado é obrigado a ser homem. O homem pensa que é bicho solto, mas isso não é a verdade. O homem não é vivo, não é um animal. A realidade de um animal é ser livre sem ser observado. O homem sente prazer em ser observado o tempo todo. O homem que mata e faz gemidos se define como animal. O animal não se vê como um homem. Pois não sabe o animal que ele é. O homem sente a dor. O animal suporta a ferida. O homem quando sente o peso real da sua dor, a primeira coisa que ele deseja é livrar-se dela. O animal carrega a si mesmo durante a vida inteira.

O homem é um animal em forma de desejo. O homem que pensa não age como animal. O animal que nunca pensa age como deve ser feito. O homem brinca de ser animal. O animal brinca como lhe diz a sua natureza própria, mas não sabe de si. Homem e animal têm o mesmo destino: nascer, crescer, viver, reproduzir, envelhecer e morrer.

O homem pode servir como animal. O animal pode ser fiel ao homem. O animal pode ser servido ao homem. O homem pode domesticar um animal. O homem comanda o animal. O animal pode amedrontar o homem. O animal domina o homem. O animal devora o homem. Um animal se alimenta de outro animal. Um homem pode se alimentar de outro homem também. O homem sente orgasmo. O animal fica no cio. O animal cruza. O homem faz sexo. O homem só começou a fazer sexo para imitar o animal. Não há diferença. Só existem palavras de mesmo sentido que dizem as mesmas coisas sobre cada um deles, mas de um jeito diferente.   

           O homem é diferente do animal. O homem se iguala ao animal. O homem se compara a outro homem para descobrir quem é o rei animal. O animal é contra outro animal para sentir quem é que manda. E quando o homem e o animal querem dominar o seu terreno, eles agem como feras. Lutam para destruir um ao outro até que o último ser de cada espécie sobreviva. Este último homem ou animal que resta é o dominante. E depois da luta nascem mais dois, três, ao todo uns cem. Centenas, milhares, milhões, bilhões... E tudo recomeça no ciclo da vida humana e na esfera animal. Homem ou animal. Animal e homem. Homem que não é animal. E animal que é animal, mas nunca será homem.

 

(João Ximenes Neto)



Escrito por Scarabh às 02h58
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